A tristeza que me abatia era a chama para que pudesse dar vida às letras que se escondiam em mim.
Levei meus pensamentos para decifrar o problema que só se resolveria em meu adormecer.
Já ia me afundar em letras profundas, mas não eram as prontas que minh’alma precisava para acender a luz que se apagava.
Eram aquelas que haviam adormecido em minha mente e já não sabia como acordá-las.
A luz das estrelas de Raul libertou as minhas letras com o sopro de sua voz como fonte de inspiração e por força inicial despertou a razão de escolhas, com ideias ainda tortas.
E agora, cá estou mais viva e lúcida do que imaginei que poderia a esta altura estar.
Foram faróis iluminados que aprontaram a esquina certa para engatar o caminho que escorria por dedos endurecidos pelo tempo.
A música compartilhou para lucidez que achava eu estivesse perdida,
E a chuva trouxe outro respirar.
Os olhos que se mantinham perdidos até o alto céu escuro fizeram parte da luz ao voltar a casa…
E brilharam como se dissessem, bem-vindo.
Para abrir minha mente e levar as letras que de lá saiam para um esboço.
E poder desenhar um sorriso, com as palavras que tocassem o primeiro coração perdido e desiludido.
Enfim, elaborei versos para o sossego de meus dedos, que já tinham saudade de sentir a tinta fresca na pele, para deslizar os rabiscos, em papéis já amarelados pelo tempo.
Ora, como é bom voar sozinho!