Como imaginar-se andando sobre uma delicada camada – porém espessa – de areia, sentindo cada fio de cabelo adejar, sucedido pela brisa salgada.
No embalo das ondas, notar a calmaria para um leve repouso.
Abandono de corpo ao toque da luz do luar.
E empenhar-se para que a tênue presença de uma lembrança do dia, fuja; e tome o rumo do teu corpo, que acaba de abandonar-te.
Deixar que a consciência seja agora o teu inconsciente.
Essa que passa tão breve, como o escorrer das águas límpidas do rio que passa, fria sob teus pés.
Que o acalento do silêncio, carregue o vivo som dos pássaros, e o leve som do mar para perto dos teus ouvidos.
Que assim possa adormecer, sem desligar-se do que há de esplendoroso em tua volta.
Não há lamento, nem treva.
Existe apenas a maciez noturna de uma pétala, que acaba de nascer; ao sentir o bater do teu âmago, que acelera diante o raio felice, que corta belas paisagens de uma extremidade à outra.